Sobre nós

A HISTÓRIA DA UPCULTURAL EM SEIS CAPÍTULOS:

Editorial

Há décadas a política tem contaminado todas as esferas da nossa vida. Este fenômeno nos trouxe boas e más notícias. A política transbordou, hoje ela está na missa e nos cultos, entrou nas universidades, nos tribunais, na editoria dos veículos de comunicação, nas salas de aula, nos teatros, cinemas e espetáculos. Nem mesmo as ciências mais duras passaram ilesas. Não há um único rincão que não tenha sido por ela contaminado. A política, como sabemos, é disputa por poder. A política nos divide e a cultura deveria nos unir. Mas, o que temos hoje é um país fraturado, caminhando em direção ao abismo. Nunca foi tão necessário promover o encontro da nação consigo mesma, curar as feridas abertas e pavimentar a estrada do futuro. Só a cultura, a arte e a educação podem realizar esta tarefa.

O Instituto Upcultural nasceu para promover esta arte, educação e cultura. Uma reconciliação da nação através das manifestações simbólicas mais genuínas e que toquem o coração do cidadão, independentemente de sua religião, raça, sexualidade ou classe social.

Somos uma organização sem fins lucrativos e buscamos através de doações e incentivos, público e privado, promover projetos educacionais e culturais que, na linguagem popular, não queiram ‘lacrar’. Se você pensa como nós, torne-se um apoiador, seja Up.

Num tempo em que se propaga o feio

A beleza salva mundo

Festival Upcultural: A condição humana, onde a cultura toca o coração de todo homem

Capítulo I

‘A vida que quero é a vida que levo?’, foi o título de uma disciplina oferecida aos alunos do CLCH/UEL no ano de 2003. Como você responderia a esta pergunta? Apresentada assim, de forma direta, reta e sem rodeios, a dúvida pede um diagnóstico sobre o que estamos fazendo de nossa existência. Um outro modo, de formular a mesma questão seria, ‘se um espírito provocador aparecesse na calada da noite e sussurrasse em teu ouvido: esta mesma vida, tal como a viveu até hoje, você terá de vive-la ainda uma vez e infinitas vezes, tudo na mesma ordem e sequência, sem tirar ou acrescentar nada a ela’, você amaldiçoaria ou abençoaria o espírito que assim cochichasse ao teu ouvido?

Capítulo II

‘Como chama isso? Nomear é dar forma ao mundo’ era o título do evento que, em 2009, sacudiu o CLCH/UEL. Instalações, teatro, palestras, debates, lançamento de livros, uma experiência limite e no centro dela figuravam nomes como de Nietzsche, Wittgenstein e Sade. O tema proposto por aquele evento foi, ao longo dos anos sucessivos, ganhando contornos dramáticos. Afinal, existe um mundo real e inescapável fora da linguagem? Existem valores universais que nos permite julgar o que está acima e embaixo? Os limites de meu mundo estão dados pelos limites de minha língua? Quem desatou a terra de seu sol e nos fez perder todo centro de referência? Teremos que provar que a grama é verde ou que o homem é um ser distinto do animal? ‘Se Deus está morto, escreveu Dostoievsky, então tudo é permitido’, e o próprio filósofo que anunciou a morte de Deus escreveu: ‘se a notícia da morte de Deus for lançada ao povo, ninguém deve espantar-se se este mesmo povo naufragar no egoisticamente pequeno e mísero, se desagregando e deixando de ser povo: assistiremos, assim, o nascimento de irmandades fundadas no egoísmo, na pilhagem fraticida de guerras tribais contra os que não pertencem a irmandade’. O niilismo bate a nossa porta.

Capítulo III

Raul Seixas desejou ser, em algum momento de sua vida, um escritor, um professor de filosofia, até descobrir que o Brasil é um país que não gosta de ler. Daí ele resolveu ser um cantor, um compositor de ieieieiê, não um ieieieieie romântico, mas realista, que é um outro tipo de ieieiê. Juntou rock com baião, Beethoven com Chuck Berry, gregos com baianos, Nietzsche com Raulzito, mexeu, remexeu e temperou: assim nasceu o Zaratustra tropical. Foi com este espírito que criamos, para a rádio UEL/FM, uma coluna sonora ‘Estação Raul’, pílulas de filosofia baiana, veiculada pela UEL/FM de 2010 a 2012.

Capítulo IV

“Posso não concordar com nada do que tens a dizer, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las.” Com esta divisa nasceu o ‘Cabaret Valentino’ em suas três edições 2012, 2014 e 2016. Nosso cabaré filosófico foi criado para abrigar diferentes vozes, incorporando o princípio da liberdade intelectual tão caro aos filósofos iluministas. Ousamos colocar num mesmo palco o sacro e o profano, a vítima e o algoz, o médico e o monstro, a bela e a fera. Lançamos livros, novos poetas e na edição de 2014 homenageamos a obra do marquês de Sade, trazendo a Londrina, Viviane Mosè, Luiz Felipe Pondé e Xico Sá. Cada edição do cabaret foi dedicada a um tema, a de 2012 se chamou ‘O corpo em Sade e Nietzsche’, a de 2014 ‘pensamento e ebriedade’ e a de 2016 ‘Assum preto brinda à vida, mesmo na aridez do deserto’.

Capítulo V

‘Estação Assum Preto: se nada é sagrado tudo pode ser cantado’ foi uma coluna sonora produzida por Gabriel Giannattasio, Elis Regina Monteiro e Hilton Tonussi de Oliveira, veiculada pela Rádio UEL/FM em 2015/16. A veia lírica, debochada, politicamente incorreta e cômica das colunas, foi, pouco a pouco, se tornando terreno minado e perigoso, indicando que havia, ainda, ‘vacas sagradas’ e elas estavam, a cada dia, mais empoderadas.

Capítulo VI

‘Assim falou Neápolis: a última esperança da raça humana’, é o título do livro, lançado em 2024, que forneceu as bases para a criação da Upcultural. Um antídoto contra o niilismo.